segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
S.I.D.A.
Infecção generalizada de olhos suspeitos;
Doenças sem culpa, crianças sem cura.
Abatido pelo cansaço da esperança.
Vidas que cortam a transamazônica:
Imagem, semelhança do próximo.
A vida cobrada em impostos
Mais forte e sem tristeza;
Seguimos contra a correnteza.
Nuvens carregadas trazem o castigo da natureza...
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
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quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Mãe dos Santos

Enquanto crescia sua agonia era me ensinar
Agora sua lágrima me faz reclinar: hesito em fazer
O que é preciso nunca será preciso
Não saber faz experimentar
O que não tem gosto é hesitar
Entre eu e você há algo... não necessita que alguém diga
Pois ainda caminho por sua barriga
Seus olhos são minhas esquinas
Seu coração é a minha bateria
Quando não mais puder dançar neste ritmo
Não fará mais sentido correr na contra-mão
Restar-me-á cem sentidos sem direção
Se ainda a isso transpor terei que me engravidar
Para quem sabe ter seu coração outra vez em mim pulsar.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Anabiose
terça-feira, 16 de setembro de 2008
descompasso
Sinto um cansaço e vou
Para o outro lado quase que sem querer
Pior é ter que admitir que aquele lado nasce aqui...
Dias parecem perdidos, mas não mais que eu em alguns momentos
Ora fumaça, ora desgraça que grassa com o rachar do sol.

A luz que se acende é a mesma que apaga meu sono. Uma luz por dia... Quem poderia dizer? Talvez você se não fosse também parte de mim!
Talvez assado talvez assim cozido ao molho pardo da sua pele
Dissolvido em seus beijos
Embebido em desejo: incorrido em suas mãos.
Sonho meu que nem durmo mais...
Rainha da noite: agripnia
Sou vosso súdito revel ao silêncio que provereis
Sigo em descompasso...
Ao passo que não há paço no reino da dor.
domingo, 14 de setembro de 2008
sábado, 30 de agosto de 2008
Sobre bocas e moscas
A mosca que assentou aqui.
(...)Percevejo?!
Percebo mesmo avoado
Rio, ainda que acuado.
O copo que captura a mosca
É o mesmo que se põe à boca
Sim. É coisa tosca, mas me inquieta saber.
Antes não soubesse
Talvez sem sabor nem sentisse...
(...)Saber é sabor demorado
Mas diga-me quem é esse seu namorado?
Que deixa murchos esses seus lábios
Leia o que lhe escrevo!
Sinta-me e veja em seus dedos
O doce amargo em não me ter...
Se não há sabor, como saber?
Insistir é o nome do meu verbo de nascimento
Conjugue-me como quiser.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Esquizofrenia

Esquizofrenia. Talvez esse poderia ser o sinônimo mais apropriado para o que chamam de globalização e todas as chancelas do capital. Cuiabá e, por extensão, Várzea Grande vivem a sua. Caos?! Não o diria; tudo é muito bem ordenado cada coisa em seu lugar, o que parece deslocado ou excluído faz parte do processo. A indiferença é o prato principal; ela nos dá força para suportar o que há de mais cruel - ou que chamam desumano.
domingo, 17 de agosto de 2008
A gosto

Distante das palavras que suprimem o conforto;
Longe de rosas e das folhas com pauta...
No amargo desconhecido do seu beijo
Compartilhando os dias e o vazio(...)
Ora silêncios, ora gritos...
Alheio à sua rotina
Cubro os papéis; faço cortinas
Com as camisas que não me servem
Faço da casa "escuro"
Para calar o desejo ao imaginá-la pelos cômodos:
Uma peça de mim.
sábado, 16 de agosto de 2008
Cem ouvidos seus
Que descobri que não existia...
Colhendo as flores que nunca plantei;
Cortando as mãos em espinhos seus:
Uma rosa despedaçada
Vermelha e cega
Sem ouvidos seus nunca pude lhe fazer crer
Que existe longas distâncias para o amor
E milhares de atalhos para o engano.
Mais um vestígio do que se acaba em menos de um ano.
Meu maior pesar é ter gritado
(E ter seu resultado abafado)
No silêncio da prerrogativa de interpretar.
ENTRE IDAS E VINDAS (ANGÚSTIA)
Na volta pra casa, todos os dias, dou-me a pensar: quanto silêncio em meio a tantas vozes, ruídos e músicas sem paladar? Vozes veladas pelo cansaço mútuo. Velam por um leito. Poderiam revelar tantas coisas. Revelam o grito abafado de uma cidade em ruínas renovadas. Vozes que muito dizem e não dizem nada. Na volta pra casa. No coletivo mais egoísta que existe, alimentado pelo calor, pelo medo e de novo ele: o cansaço. Corpos fatigados. No dia-a-dia dos possíveis fins. Eles conduzem, ou melhor, são conduzidos pelo espírito eterno da morte. Vivem da sorte de se satisfazerem, de algum modo o fazem!
