Vire o verso e, veja!
A mosca que assentou aqui.
(...)Percevejo?!
Percebo mesmo avoado
Rio, ainda que acuado.
O copo que captura a mosca
É o mesmo que se põe à boca
Sim. É coisa tosca, mas me inquieta saber.
Antes não soubesse
Talvez sem sabor nem sentisse...
(...)Saber é sabor demorado
Mas diga-me quem é esse seu namorado?
Que deixa murchos esses seus lábios
Leia o que lhe escrevo!
Sinta-me e veja em seus dedos
O doce amargo em não me ter...
Se não há sabor, como saber?
Insistir é o nome do meu verbo de nascimento
Conjugue-me como quiser.
sábado, 30 de agosto de 2008
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Esquizofrenia

Esquizofrenia. Talvez esse poderia ser o sinônimo mais apropriado para o que chamam de globalização e todas as chancelas do capital. Cuiabá e, por extensão, Várzea Grande vivem a sua. Caos?! Não o diria; tudo é muito bem ordenado cada coisa em seu lugar, o que parece deslocado ou excluído faz parte do processo. A indiferença é o prato principal; ela nos dá força para suportar o que há de mais cruel - ou que chamam desumano.
domingo, 17 de agosto de 2008
A gosto
Eu estou onde suas mãos não me alcançam.
Distante das palavras que suprimem o conforto;
Longe de rosas e das folhas com pauta...
No amargo desconhecido do seu beijo
Compartilhando os dias e o vazio(...)
Ora silêncios, ora gritos...
Alheio à sua rotina
Cubro os papéis; faço cortinas
Com as camisas que não me servem
Faço da casa "escuro"
Para calar o desejo ao imaginá-la pelos cômodos:
Uma peça de mim.

Distante das palavras que suprimem o conforto;
Longe de rosas e das folhas com pauta...
No amargo desconhecido do seu beijo
Compartilhando os dias e o vazio(...)
Ora silêncios, ora gritos...
Alheio à sua rotina
Cubro os papéis; faço cortinas
Com as camisas que não me servem
Faço da casa "escuro"
Para calar o desejo ao imaginá-la pelos cômodos:
Uma peça de mim.
sábado, 16 de agosto de 2008
Cem ouvidos seus
Foi olhando pra mim
Que descobri que não existia...
Colhendo as flores que nunca plantei;
Cortando as mãos em espinhos seus:
Uma rosa despedaçada
Vermelha e cega
Que descobri que não existia...
Colhendo as flores que nunca plantei;
Cortando as mãos em espinhos seus:
Uma rosa despedaçada
Vermelha e cega
Sem ouvidos seus nunca pude lhe fazer crer
Que existe longas distâncias para o amor
E milhares de atalhos para o engano.
Mais um vestígio do que se acaba em menos de um ano.
Meu maior pesar é ter gritado
(E ter seu resultado abafado)
No silêncio da prerrogativa de interpretar.
ENTRE IDAS E VINDAS (ANGÚSTIA)
Na volta pra casa, todos os dias, dou-me a pensar: quanto silêncio em meio a tantas vozes, ruídos e músicas sem paladar? Vozes veladas pelo cansaço mútuo. Velam por um leito. Poderiam revelar tantas coisas. Revelam o grito abafado de uma cidade em ruínas renovadas. Vozes que muito dizem e não dizem nada. Na volta pra casa. No coletivo mais egoísta que existe, alimentado pelo calor, pelo medo e de novo ele: o cansaço. Corpos fatigados. No dia-a-dia dos possíveis fins. Eles conduzem, ou melhor, são conduzidos pelo espírito eterno da morte. Vivem da sorte de se satisfazerem, de algum modo o fazem!
Pelas ruas o que se vê passar? Carros que pedem passagem, que correm na contramão do tempo. Tento enxergar pelo vidro a fora um bom motivo para não ir embora. Penso se ir não tem volta. Não há passagem. E então?! De que me vale, pagar duas passagens todos os dias para ir e voltar entre o mesmo lugar? Dentro de uma mente que por sua vez dentro da prisão que se sente, não pode, não consegue romper correntes.
Como posso eu ir e vir, sem sentir um frio na espinha, sabendo que a angústia não é só minha? Não vejo a hora de chegar; mas sempre no mesmo horário...
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